Comportamentos aditivos em crianças e jovens relativamente às tecnologias
Nos últimos anos, o uso excessivo de tecnologias, como smartphones, computadores e videojogos, tem gerado uma preocupação crescente entre pais, educadores e profissionais de saúde. O comportamento aditivo em relação a essas tecnologias pode afetar negativamente o desenvolvimento emocional, social e cognitivo de crianças e jovens.
Mas, é claro que, o uso de tecnologias, também, tem benefícios, ou seja, tem vários aspetos que a ciência tem mostrado que são positivos:
- os jogos interativos em ecrãs, se adequados à idade da criança, podem contribuir para o desenvolvimento da linguagem e da motricidade fina
- os videojogos podem ajudar a desenvolver a orientação espacial e o raciocínio lógico e a criatividade
- podem ajudar a aprendizagem de uma nova língua (por ex. inglês)
- Em adolescentes, as redes sociais podem favorecer as interações e reduzir o stress
Contudo, é importante ter em consideração que os ecrãs não substituem a importância da interação com adultos e pares – é com as pessoas que as crianças e adolescentes podem aprender e experienciar da melhor forma.
Temos de considerar, também, os aspetos negativos do uso excessivo e não controlado das tecnologias:
- Em crianças pequenas, pode comprometer a motricidade grossa e a compreensão e expressão das emoções
- Pode permitir o acesso a conteúdos impróprios (violência, ódio, pornografia)
- Pode promover uma menor coordenação e flexibilidade motora
- Pode contribuir para o excesso de peso
- Pode piorar a qualidade do sono
- Pode diminuir a qualidade das interações com os pares
Quando o adulto não supervisiona a quantidade de tempo que a criança passa nos ecrãs e não controla os conteúdos visionados, podem surgir comportamentos aditivos, com graves consequências.
Causas do comportamento aditivo
1. Acesso fácil e constante: Com a popularização dos dispositivos móveis, muitas crianças e jovens têm acesso constante à internet, redes sociais e jogos eletrônicos, o que facilita o seu uso exagerado, muitas vezes em detrimento das atividades ao ar livre e das interações face a face.
2. Estímulos imediatos e recompensas: As plataformas digitais são projetadas para manter os utilizadores “presos” por longos períodos, dando recompensas imediatas como likes, seguidores e novos níveis de jogos. Esses estímulos criam um ciclo de reforço positivo que pode ser difícil de quebrar.
3. Falta de limites e supervisão: Em muitos casos, a ausência de regras claras e limites no uso de tecnologias pode contribuir para o desenvolvimento de comportamentos aditivos. Pais e responsáveis nem sempre estão cientes dos riscos envolvidos ou têm dificuldades em controlar o uso das tecnologias.
Consequências do comportamento aditivo
1. Comprometimento do desenvolvimento social: Crianças e jovens que passam muito tempo em frente aos ecrãs podem ter dificuldades em desenvolver competências sociais importantes, como empatia, comunicação e resolução de conflitos.
2. Impacto na saúde mental: O uso excessivo de tecnologias está frequentemente associado a distúrbios como ansiedade, depressão e insônia. O consumo excessivo de conteúdos digitais, especialmente nas redes sociais, pode afetar a autoestima e gerar uma pressão constante para se adaptar a padrões de beleza e comportamentos idealizados.
3. Diminuição da atenção e concentração: O uso constante de dispositivos eletrônicos pode afetar a capacidade de concentração e de realizar atividades que exigem mais tempo e foco, como leitura e estudo. Isso pode refletir-se negativamente no desempenho acadêmico e nas habilidades cognitivas a longo prazo.
Estratégias para prevenir comportamentos aditivos
1. Estabelecimento de limites claros: É fundamental que pais e educadores definam regras sobre o tempo de uso das tecnologias. O equilíbrio entre o uso de ecrãs e outras atividades é fundamental para garantir que as crianças e jovens não se tornem excessivamente dependentes da tecnologia.
2. Incentivo de outras atividades: Estimular a participação em atividades ao ar livre, leitura, hobbies e jogos que não envolvam tecnologia é uma forma eficaz de reduzir o tempo nos ecrãs e promover o desenvolvimento de competências físicas e sociais.
3. Promoção do uso consciente: Ensinar as crianças e jovens a utilizarem as tecnologias de maneira equilibrada e consciente é essencial. Isso inclui a educação sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos, o consumo de conteúdos saudáveis e o respeito pelos outros nas interações digitais.
4. Apoio psicológico: Em casos mais graves de dependência, a intervenção de profissionais de saúde mental pode ser necessária. Terapias comportamentais e acompanhamento psicológico ajudam as crianças e jovens a lidarem com a ansiedade digital e a desenvolverem uma relação mais saudável com as tecnologias.
Teresa Pisco
SPO